Prática difundida nos Estados Unidos e Europa desembarca por aqui.
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| Universidade Harvard, nos EUA: doações somam 30 bilhões de dólares ao ano (iStockphoto) |
Todos os meses, a cobrança de 150 reais já está programada para ser
debitada da conta corrente do economista Pedro Albuquerque, de 27 anos. O
crédito vai direto para o Insper, a instituição de ensino onde ele se
formou, em 2009. Mas não se trata de pagamento de mensalidade atrasada
nem de ressarcimento de bolsa de estudo. É uma doação voluntária.
Simples assim.
"Comecei contribuindo com 50 reais. E, na medida em que o meu salário
cresce, aumento a minha participação", conta ele, que atualmente
trabalha em Curitiba numa empresa da área de infraestrutura. Assim como
Pedro, outros 115 ex-alunos doam para o Fundo de Bolsas da instituição -
desde que foi criado, em 2009, já foram arrecadados 850.000 reais.
Todo o dinheiro é utilizado para subsidiar os estudantes oriundos de
escola pública e que não têm condições de arcar com as mensalidades de
cerca de 3.000 reais - atualmente, dos 1.500 alunos do Insper, 100 são
bolsistas.
A motivação dos doadores não é simplesmente caridade. "Quando
contribuo, colaboro para a perenidade da instituição e ajudo a escola a
se manter no topo, com os melhores alunos que poderia ter, o que inclui,
obviamente, aqueles que não teriam condições de arcar com a
mensalidade", diz Franco Veludo. Ele se formou em 2007 e, em todo início
de ano, doa 3.000 reais.
A prática, bem incomum no Brasil, é corriqueira mundo afora. Em
especial nos EUA, onde só Harvard arrecada 30 bilhões de dólares por
ano. Mas a prática se difundiu. "Na Europa, Oxford e Cambridge estão
muito fortes e, na América Latina, o México tem sido muito bem-sucedido
nisso", elenca Custódio Pereira, autor do livro Sustentabilidade e
Captação de Recursos na Educação Superior no Brasil.
O especialista diz que, tecnicamente, há três explicações para o Brasil
ter uma atuação incipiente. "Aqui, não há essa visão da filantropia
para a educação, as instituições de ensino não têm pessoas
especializadas no trabalho de captação e o governo não oferece incentivo
fiscal." Apesar disso, ressalva, o principal motivo do insucesso
brasileiro é a falta de habilidade de quem pede. "Nós não sabemos
pedir".
Nesse cenário, sobressai-se quem tem bons relacionamentos e sabe
valorizar o doador, afirma o pró-reitor de ensino e pesquisa da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), Antonio Freitas. "Muitas de nossas salas e
laboratórios foram doados por ex-aluno. Para a FGV, já doaram José
Ermírio de Moraes, Moreira Salles e Abílio Diniz. Mas, no Brasil, as
doações são frutos de amizade. Nos EUA, não. Lá, se qualquer um doa
1.000 dólares, ganha o nome no ladrilho."
Aos que doam muito, o agradecimento é mais explícito. A Universidade
Yale, por exemplo, tinha outro nome até, no século 18, ser rebatizada
com o sobrenome de um judeu que doou parte de suas riquezas para a
instituição. Harvard também leva o nome de um doador generoso.
Longe das discussões ideológicas do Largo São Francisco, outra unidade
da própria USP já tem passado o chapéu. A Escola Politécnica, que
congrega os cursos de Engenharia, criou, neste ano, o Amigos da Poli,
com a meta de arrecadar 10 milhões de reais nos primeiros 12 meses de
atividade.
Dentre as privadas, a FGV tem uma assessoria com funcionários dedicados
exclusivamente para captação de recursos. E a Universidade Mackenzie, a
pioneira da prática no Brasil, vai ressuscitar, em 2013, seu programa
de patrocínio. "Será uma campanha motivadora e providenciaremos aos
doadores um fluxo de informação sobre o beneficiado, imprimindo um
caráter mais pessoal possível ao programa", explica Solano Portela,
diretor de finanças da instituição.
Veja com Estadão

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