Depois da prisão de membros do Conselho Estadual de Direitos Humanos
da Paraíba durante visita ao Presídio PB1 foi divulgado um relatório com
fotos, que já foi notícia nos sites locais, mas chegou a mídia nacional
nesta sexta, 07, quando o caso foi publicado no site UOL. Veja o texto
da publicação:
Integrantes do Conselho Estadual de Direitos
Humanos que registravam os problemas foram detidos pelo diretor da
penitenciária. Ministério Público, Polícia Federal e governo estadual
apuram denúncias de maus tratos aos presos e aos conselheiros
Amontoados, nus, em celas fétidas. Assim o Conselho Estadual de Direitos Humanos encontrou os presos em penitenciária da Paraíba
Nem
colchão, nem água potável. Um amontoado de 80 homens nus dividindo
espaço numa cela com fezes flutuando em poças de água e urina. Entre
eles, apenas uma bacia higiênica, esvaziada esporadicamente. Odor
insuportável, umidade excessiva, pouca ventilação. Esse foi o cenário
com o qual um grupo do Conselho Estadual de Direitos Humanos deparou na
Penitenciária de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, em João
Pessoa (PB), no último dia 28. Mas a violação aos direitos humanos no
PB-1, como é mais conhecido o presídio, não parou aí.
Responsáveis
por relatar as condições oferecidas pelo estado aos presos, os seis
conselheiros - entre eles, a ouvidora de Segurança Pública da Paraíba,
uma defensora pública, uma professora universitária e um padre - tiveram
prisão anunciada pelo diretor do presídio. Detidos por três horas e
ameaçados de serem conduzidos a uma delegacia de polícia, só foram
liberados após a intervenção do Ministério Público Estadual, que apontou
abuso nas detenções.
Dez dias depois do episódio, o major Sérgio
Fonseca de Souza, responsável pelo presídio e pelas prisões, continua na
direção do PB-1. Mas sob intenso fogo cruzado.
A Polícia Federal e
o Ministério Público Federal abriram inquérito para apurar se ele
cometeu os crimes de abuso de autoridade e cárcere privado ao deter os
conselheiros. Pressionado, o governador Ricardo Coutinho (PSB), que
mantém o major no cargo, criou uma comissão formada por representantes
do governo, da sociedade civil e do próprio Conselho, que terá 30 dias
para apresentar suas conclusões sobre o episódio. Paralelamente, a
Secretaria de Administração Penitenciária abriu uma sindicância interna.
Os conselheiros defendem o afastamento de Sérgio Fonseca do comando do
presídio até o término das apurações.
Fotos da discórdia
O
diretor da penitenciária alega que os conselheiros cometeram uma
ilegalidade quando pediram a um presidiário que fotografasse a própria
cela, cujo acesso não havia sido liberado aos representantes do
Conselho. Um argumento que não se sustenta, segundo o Ministério Público
Federal. "Resolução do Conselho Estadual de Polícia Penitenciária
impede a entrada de máquina fotográfica e celular em presídios. Mas isso
não se aplica ao Conselho Estadual de Direitos Humanos. Sem fotografar,
não há como fazer qualquer relatório que seja. Temos sempre de ter
fotos", contesta o procurador da República na Paraíba Duciran Farena.
Lixo por toda parte
Uma
das pessoas detidas, a ouvidora da Secretaria de Segurança Pública,
Valdênia Paulino, reforça que a resolução alcança somente os visitantes.
Ela lembra que a competência do Conselho Estadual de Direitos Humanos é
regulada por uma lei estadual. "Uma resolução não pode ser maior que
uma lei. Atuamos pautados pela legalidade. Para ser conselheiro estadual
de Direitos Humanos, é preciso ter reputação ilibada. O conselho tem
representantes da sociedade civil. Era um grupo de autoridades",
reforça.
Os conselheiros se recusaram a entregar a máquina
fotográfica aos agentes penitenciários. E incluíram as imagens em
relatório despachado à Secretaria de Administração Penitenciária, ao
governador Ricardo Coutinho, ao Ministério Público Federal e ao Juizado
de Execuções Penais. Procurada, a secretaria informou que ainda não
recebeu oficialmente o relatório, mas que está apurando tanto a versão
do diretor do presídio quanto a dos conselheiros.
ClickPB com UOL
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