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| Imagem Ilustrativa |
Iniciada em 17 de maio, a greve dos professores das
instituições federais de ensino superior chega ao 120º dia nesta
quinta-feira, colocando a paralisação deste ano no patamar de mais longa
da história. O último balanço divulgado ontem pelo Ministério da
Educação (MEC) aponta que a greve está enfraquecida, professores de 37
das 57 universidades federais do País já decidiram pela suspensão da
greve.
Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino
Superior (Andes), em assembleias realizadas entre os dias 3 e 6 de
setembro, 13 sindicatos decidiram sair da greve, enquanto 39 mantiveram a
paralisação (destas, 18 sugeriram datas para o retorno das atividades) -
outras 18 assembleias não informaram o resultado ao Andes.
Desde a última terça-feira, novas assembleias nos sindicatos das
universidades decidem se a paralisação continuará ou não. A expectativa,
no entanto, é de que o movimento perca força com a saída de
universidades como a de Brasília (UnB) e as federais do Rio de Janeiro
(UFRJ), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Minas Gerais (UFMG) e de
Pernambuco (UFPE).
"A melhor greve é a que dura no máximo uma semana - e que a categoria
tem suas reivindicações atendidas", observa o professor doutor em
Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) José Luis Simões.
Para ele, uma das soluções seria criar uma política permanente para
promover aumentos ano a ano. "Se tivesse uma lei, isso acabaria com as
greves motivadas pela desvalorização do trabalhador", opina Simões.
A proposta apresentada pelo governo prevê um reajuste nos próximos
três anos, além dos 4% previstos pela Medida Provisória nº 568/12. A
reestruturação da carreira, outra demanda dos grevistas, passa pela
redução de 17 para 13 níveis - o que, na prática, significaria uma
ascensão mais rápida a títulos como os de professor adjunto e professor
titular.
Para Simões, a greve de 2012, além de ser historicamente a maior, é
marcante em diversos aspectos. Entre eles, a insatisfação de uma
categoria que precisa atender a requisitos como ter mestrado ou
doutorado para lecionar e a contradição de um governo de esquerda no
discurso. "O programa tem a educação como prioridade, mas isso não é
cumprido", avalia o professor.
Além disso, a atuação de diferentes lideranças sindicais também é
destacada. Para a vice-presidente da Associação Nacional de Pesquisa e
Pós-Graduação em Educação (ANPEd), Leda Scheibe, o embate intersindical
protagonizado pelo Andes-SN, que permanece em greve, e a Federação de
Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior
(Proifes), que aceitou a proposta do governo e declarou o fim da
paralisação entre seus associados, torna a questão mais complexa.
"Quando havia o projeto de sindicato unificado, conseguiu-se uma
situação bastante satisfatória enquanto professores do ensino superior.
Hoje, os sindicatos estão desunificados", explica.
Política de Estado
A greve supera a paralisação de 2005, que se estendeu por 112 dias e, até então, era a maior já registrada pelos docentes no ensino federal. Na história, outros três anos tiveram greves com duração maior do que cem dias: 1991, 1998 e 2001. Nos anos 80, as paralisações duravam, em média, 40 dias (exceto a de 1984, que parou as universidades quase três meses). Para Simões, o aumento da duração das greves simboliza a crescente falta de assistência prestada pelo estado à categoria. "Falta uma política de Estado séria para a educação", critica.
A greve supera a paralisação de 2005, que se estendeu por 112 dias e, até então, era a maior já registrada pelos docentes no ensino federal. Na história, outros três anos tiveram greves com duração maior do que cem dias: 1991, 1998 e 2001. Nos anos 80, as paralisações duravam, em média, 40 dias (exceto a de 1984, que parou as universidades quase três meses). Para Simões, o aumento da duração das greves simboliza a crescente falta de assistência prestada pelo estado à categoria. "Falta uma política de Estado séria para a educação", critica.
Se na época da ditadura os grevistas tinham menos liberdade para
expressar suas reivindicações, para Simões, o exercício de um governo
com origem sindical é considerado uma vantagem. "Grevista era pejorativo
na época da ditadura. Não eram professores tentando garantir condições
de trabalho", diz. Por outro lado, o professor aponta que ter um governo
composto por pessoas que já dirigiram e participaram de paralisações
pode representar também uma desvantagem para o movimento atual, uma vez
que elas já estiveram do outro lado das reivindicações e conhecem as
fragilidades de uma greve de longa duração.
A principal questão, contudo, é o aspecto político-ideológico. Simões
afirma que o atual governo encontra dificuldades para cumprir e atender
as bandeiras que defendia em sua proposta inicial, mostrando-se,
inclusive, contraditório. "As pessoas assumem posições estratégicas no
País e se esquecem do que defendiam antes", avalia. Ele acrescenta que,
apesar de sustentar um discurso ressaltando a importância de investir em
educação, diferentes forças políticas atuam no governo, e este acaba
não atendendo às demandas da categoria. "Os professores universitários
têm pouca força para pressionar o governo", entende.
Do Terra

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