Mesmo com o segundo menor efetivo do
país, com 1.950 policiais, as equipes da Polícia Civil na Paraíba
realizaram, em pouco mais de um ano e meio, cerca 70 operações no
estado. “Tem sido feito um trabalho grande. Nenhum estado fez tantas
operações como nós. Temos muito pouco fazendo muito”, explicou o
delegado Cláudio Lameirão, presidente da Associação de Defesa das
Prerrogativas dos Delegados de Polícia da Paraíba (Adepdel).
De
acordo com a legislação estadual, a Paraíba deveria possuir em seu
efetivo o total de oito mil policiais civis quando, na realidade, só
existem 24% deste ideal previsto na legislação de policiais na ativa.
Para atingir este número, cerca de 6.050 novos policiais deveriam ser
contratados.
O
estado como um todo acaba sendo atingido por esse déficit de policias.
“No interior da Paraíba a carência é absurda. Tem delegado que responde
por 15 cidades. O que compensa é que policiais tiram horas extras
durante a noite, fins de semana e feriados”, explicou. Além disso, os
delegados da Paraíba têm um dos piores salários do Brasil. “Nós temos o
penúltimo salário do país. No bruto, o delegado recebe R$ 7.200.
Enquanto que a média nacional é de R$ 11 mil. No Nordeste, todos os
estados pagam melhor que na Paraíba”, lamentou Lameirão.
Mesmo
com todos esses problemas a Polícia Civil foi responsável por elucidar e
prender, por exemplo, as organizações criminosas que perpetraram
inúmeras explosões em agências bancárias situadas no Estado entre outros
casos.
Um
dos grandes instrumentos de relevo da Polícia Civil, que contribuiu
para o aumento de casos resolvidos, foi o uso do 197 (Disque Denúncia)
pela população. “Se tivéssemos um número maior de policiais trabalhando
nas centrais do Disque Denúncia, direcionadas para ouvir as ligações que
chegam todos os dias, poderíamos desenvolver um trabalho ainda mais
abrangente”, disse o presidente da Adepdel.
Entre
as conquistas da categoria nos últimos anos, Cláudio Lameirão destacou
as que ocorreram após movimentos grevistas. “Conseguimos diversas
melhorias através da greve. A exemplo da regulamentação da jornada
extraordinária e da gratificação”, ele também lembrou da realização do
concurso para Polícia Civil em 2003 após 17 anos sem nenhum concurso na
área.
Em
oito anos de carreira de Cláudio Lameirão, o mesmo citou três grandes
operações comandadas pelos Delegados de Polícia Civil da Paraíba que
marcaram a relevância da Polícia Civil para a sociedade, que foram: as
prisões de criminosos envolvidos em assaltos a agências bancárias com
uso de explosivos, a maior apreensão de crack realizada no estado e as
prisões durante a Operação Laços de Sangue. “Muito trabalho, esforço,
dedicação e empenho de pessoas. Se tivéssemos um quantitativo maior,
teríamos um dos menores índices de homicídios do país. A gente ainda
precisa avançar na questão salarial”, finalizou o delegado.
Folha do Sertão
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