Segundo dados da organização não
governamental (ONG) Centro da Mulher 8 de Março, do dia primeiro de
janeiro de 2012, até a madrugada de ontem, 65 mulheres foram
assassinadas na Paraíba. O número de homicídios apenas até a metade
deste ano supera o registrado em todo o ano passado, que foi de 41
mortes, segundo a ONG.
De
acordo com a coordenadora geral do Centro da Mulher 8 de Março, Irene
Marinheiro, em cerca de 70% dos casos de mulheres assassinadas, o autor
do homicídio é um parceiro ou ex-parceiro da vítima. “Como a sociedade
se baseia no machismo entendo que o homem se sente dono de tudo, até da
mulher. Não aceitam que elas se separem dele, veêm como propriedade.
Isso não é amor, entendo que é como sadismo porque quem ama não mata,
quem ama protege. E o mais triste disso tudo é que acontece com a pessoa
que a mulher mais confia e no local que ela se sente segura, o lar
dela”, explicou Marinheiro.
Os
três últimos casos a entrarem para as estatísticas do Centro da Mulher 8
de Março em 2012 aconteceram na terça-feira (19). Além da professora da
Universidade Estadual da Paraíba, Briggida Rosely de Azevedo Lourenço,
encontrada morta com sinais de asfixia em seu apartamento em João
Pessoa. Já em Cabedelo, na Grande João Pessoa, uma mulher sem
identificação foi encontrada morta.
No
município de Mamanguape, no Litoral Norte, e uma mulher foi assassinada
a facadas por um homem de 21 anos. Entre os três homicídios, a polícia
prendeu apenas o suspeito do homicídio cometido em Mamanguape.
Ainda
segundo a coordenadora da ONG 8 de Março, a violência psicológica é a
primeira etapa para um possível violência física. “A violência
psicológica acontece quando o parceiro destrata verbalmente a mulher, a
chamando, por exemplo, de burra, idiota. A mulher não considera
violência, então passa para o primeiro tapa. Ele pede perdão e ela
aceita. O que pode se aprofundar até chegar em um assassinato”, comentou
Irene Marinheiro.
Além
da ONG 8 de Março, situada na Av. Duque de Caxias no Centro de João
Pessoa, as mulheres vítimas de violência podem procurar apoio também no
Centro de Referência da Mulher, na Av. Afonso Campos também no Centro da
capital. As denúncias devem ser registradas na Delegacia da Mulher
Vítima de Violência, na Av. Pedro II. Na Paraíba existem oito delegacias
da Mulher. Na região metropolitana da capital elas são localizadas em
Cabedelo, João Pessoa, Santa Rita e Bayeux.
Outras unidades podem ser encontradas em Guarabira, no Agreste paraibano, e Patos, Souza e Cajazeiras, no Sertão do estado.
O
Centro da Mulher 8 de Março reivindica delegacias especializadas da
Mulher em Monteiro, na região da Borborema e Pombal, no Sertão. A ONG
indica que onde não existe Delegacia da Mulher, a vítima de violência
deve procurar a delegacia comum da cidade mais próxima. “Só haverá
diminuição nos casos de morte, a medida que as mulheres resolverem
denunciar seus agressores”. concluiu a coordenadora geral do Centro da
Mulher 8 de Março.
Folhadosertao com G1 PB
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