General paquistanês apresenta teoria, ainda sem provas, sobre morte de Osama
Osama foi morto em maio de 2011 por um comando de elite americano (STR/EFE)
Osama Bin Laden, já afastado do comando da Al Qaeda, foi entregue aos americanos por uma de suas mulheres, que sentia ciúmes de uma rival mais jovem na casa em que viviam, segundo a tese elaborada por um general paquistanês depois de uma investigação. No entanto, Shaukat Qadir, um general de brigada reformado, investigou o episódio durante apenas oito meses e ainda não possui provas para sustentar a sua teoria.
Graças a suas relações com o alto escalão das Forças Armadas, Qadir pôde visitar a casa que Bin Laden ocupou e falar com os agentes que interrogaram as mulheres do terrorista, presas depois da operação. Para ele, Bin Laden teria sido vítima de um complô da Al Qaeda, que utilizou uma de suas mulheres para colocar os americanos em seu rastro.
Segundo o general, Bin Laden teria começado a sofrer uma deficiência mental, o que progressivamente levou seu braço direito e fez o egípcio Ayman Al Zawahiri decidir eliminá-lo. Então, após vários anos de fuga no noroeste paquistanês, a Al Qaeda o escondeu em Abbottabad, onde mandou construir uma mansão.
Família - Bin Laden se estabeleceu nessa casa em 2005 com duas de suas mulheres, Amal e Seehan, e vários de seus filhos. No entanto, as coisas mudaram em 2011, quando chegou à casa outra mulher de Bin Laden, Jairia, saudita como Seehan. O terrorista teria se casado com ela no final dos anos 1980, mas não a via desde 2001. "É o que Amal também acha e disse aos investigadores", explicou.
Refugiada (e vigiada) numa casa no Irã até o fim de 2010, Jairia passou, segundo o general Qadir, vários meses num campo da Al Qaeda no Afeganistão antes de chegar a Abbottabad em março de 2011, menos de dois meses antes do ataque americano. Qadir não tem dúvidas de que foi Jairia quem traiu Bin Laden.
Ciúmes - Ao chegar à casa, Jairia, já conhecida por seus ciúmes doentios, se instalou no primeiro andar e logo levantou suspeitas, em particular por parte do filho do terrorista, Khalid. Ao citar um depoimento de Amal a seus interrogadores, Qadir relatou que "Khalid não parava de perguntar a Jairia por que havia ido para Abbottabad e o que queria com Bin Laden". "Tenho que fazer uma última coisa por meu marido", teria respondido ela.
"Khalid, preocupado, levou ao conhecimento de seu pai os temores de uma traição", especula Qadir. Mas Bin Laden, fatalista, teria se limitado a comentar: "O que tiver de acontecer, acontecerá". "Bin Laden tentou convencer suas outras duas mulheres a deixar a casa e fugir, mas elas quiseram ficar com ele", diz Qadir.
EUA - Para o general, a Al Qaeda e Al-Zawahiri guiaram Jairia para que orientasse os americanos a chegar à casa em Abbottabad. A interceptação, por parte dos americanos, de uma comunicação telefônica de Jairia contribuiu para convencê-los de que Bin Laden se encontrava naquela casa. Sobre a falta de provas, Qadir brinca: "É como o caso do assassinato de John Kennedy".
Washington descartou qualquer complô e assegurou ter chegado até Bin Laden por seus próprios meios. O Exército paquistanês, porém, insiste que ignorava a presença do terrorista em Abbottabad. O fato de o Paquistão ter ignorado a presença do terrorista durante anos causou uma crise diplomática entre os dois países, com acusações de que o serviço secreto paquistanês teria colaborado com a Al Qaeda.
Veja Com agência France-Presse
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