De onde menos se espera, pode vir a crítica. O papa lançou ontem à noite, durante a Missa do Galo, um ataque violento contra a degenerescência consumista das festas de Natal. Bento XVI afirmou, nomeadamente, que "hoje o Natal tornou-se uma celebração comercial, cujas luzes brilhantes escondem o mistério da humildade de Deus, que por sua vez nos convida à humildade e à simplicidade"
Na sua homilia, o papa deixou também uma exortação relacionada com o consumismo do Natal: "Vamos pedir ao Senhor que nos ajude a ver através do esplendor superficial desta quadra, e a descobrir por trás dele a criança do estábulo de Belém, de modo a encontrar verdadeira alegria e verdadeira luz".
E acrescentou: "Vamos desfazer-nos da nossa fixação no que é material, no que pode ser medido e agarrado. Vamos permitir que nos traga simplicidade o Deus que se revela aos simples de coração".
O tema do consumismo na tradição anti-natalícia
Ao proferir esta homilia, Bento XVI retoma, com uma décalage de um século, o tema que já tinha abordado com vigor no início do século XX uma certa escola de pensamento norte-americana, laica e liberal.
O seu mais notável cultor foi, à época, o jornalista, publicista e escritor satírico Ambrose Bierce. No livroThe Devil's Dictionary, Bierce definia o Natal como "uma jornada [...] que se consagra à glutonice, à embriaguez, ao sentimentalismo, às prendas, à estupidez pública e ao comportamento doméstico desordeiro".
Bierce explica depois a que se refere. Das prendas, diz nessa entrada do Dicionário que se oferece "esperando [receber] alguma coisa melhor". Da glutonice, diz que "os homens convertem os seus ventres em deuses, e depois esses deuses mandam fazer festas".
O grosseiro materialismo que já então impregnava o consumo natalício, fazia-o lamentar que não encontrasse alguém com suficiente coragem para fazer, em trocadilho certeiro, votos de "próspero Natal e novo feliz ano".
Ao proferir esta homilia, Bento XVI retoma, com uma décalage de um século, o tema que já tinha abordado com vigor no início do século XX uma certa escola de pensamento norte-americana, laica e liberal.
O seu mais notável cultor foi, à época, o jornalista, publicista e escritor satírico Ambrose Bierce. No livroThe Devil's Dictionary, Bierce definia o Natal como "uma jornada [...] que se consagra à glutonice, à embriaguez, ao sentimentalismo, às prendas, à estupidez pública e ao comportamento doméstico desordeiro".

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