O transporte em si é uma forma de locomoção das pessoas entre os mais variados lugares. Nesse avanço no tempo o país foi vendo desaparecer as tropas de burros, as caravanas de animais, e, abraçando o progresso da indústria automobilística foi se acostumando aos veículos, isso sem contar na desativação programática dos trens, afinal, a velocidade estava garantida nas estradas e pelo ar.

     São inúmeros os relatos dos primeiros motoristas e caminhoneiros, que levavam consigo a segurança de um tempo menos violento e mais lento, seja pelos veículos ou pelas estradas de barro cruzando o Brasil. Com efeito, aumentando a quantidade da frota, dos motoristas e dos beneficiários do sistema, era natural surgirem as regras da boa convivência e da sobrevivência.

     Assim, a primeira lei de trânsito surgida no mundo foi a “Lei da Bandeira Vermelha”, promulgada na Inglaterra em 1836, que além de limitar em 10 (dez) quilômetros por hora a velocidade máxima, obrigava a que à frente do carro estivesse um homem portando uma bandeira vermelha para alertar os pedestres, a, no mínimo, 60 metros de distância.

     Enquanto isso aqui na terra tupiniquim, o primeiro Código de Trânsito surgiu com o Decreto-Lei nº 3.671, em 25 de setembro de 1941, contudo, algumas outras normas já tratavam do trânsito desde 1910, a exemplo do Decreto nº 8.324, datado de 27 de outubro daquele mesmo ano. Atualmente possuímos o Código de Trânsito Brasileiro – CTB, que vem a ser a Lei Federal n° 9.503, de 23 de setembro de 1997, uma norma que compila as permissões e proibições, tipifica infrações e prevê punições.

     As infrações são consideradas leves, médias, graves e gravíssimas. Chega-se até a pontuar tais situações, as quais abrangem desde “dirigir sem habilitação” a “prática de homicídio motivado por embriaguez ou sob efeito de drogas ilegais”, com penas que variam entre 01 mês e 08 anos de prisão. Contudo, o que a lei e nem ninguém pode medir ou expressar são os efeitos danosos e maléficos de certas infrações!

    A verdade é que o Brasil vive uma realidade de Guerra Civil no trânsito, pois, estima-se que 35 mil pessoas falecem anualmente vítimas de acidentes. Aqui na Paraíba não é diferente, segundo informações da STTrans, só em João Pessoa acontecem, em média, 400 acidentes de trânsito por mês, resultando em cerca de 5 mil acidentes por ano.

     E, infelizmente, muitos deles são fatais! A exemplo do acidente que vitimou a Defensora Pública Fátima Lopes em janeiro de 2010, fato este que inspirou o poeta e Vereador Bruno Farias a propor uma Lei que definisse como sendo 24 de janeiro o “Dia Municipal da Paz no Trânsito”, tendo sido sancionada a Lei Municipal n° 11.973/2010.

     Feliz idéia de quem declama a vida, felicidade à cidade que tem as famílias Lopes e Ramalho como exemplos de persistência em defesa da Justiça pela Paz! Afinal, somente pelo caminho da “paz” é que encontraremos a resposta e a solução almejadas. Aos motoristas infratores: as penas da lei com severidade; aos sobreviventes dessa guerra cotidiana: um novo pensamento sobre o trânsito.

     Mas, até quando as lágrimas contarão suas perdas? Basta! Eis que é necessário empunhar a bandeira da “Paz no Trânsito!” Afinal, mais do que falar em acidentes é preciso tentar evitá-los, assim, a Paz sonhada é um fruto direto do próprio amor: o amor ao próximo, à família, à própria vida! Como justificar senão pelo desamor que seria preciso haver uma “lei” e haver “punições” para que: um motoqueiro venha a utilizar um capacete?! As pessoas no veículo utilizem cintos de segurança?! Os condutores não dirijam embriagados?!

     Com efeito, a irresponsabilidade de segundos pode levar a um sofrimento de uma vida inteira! As mudanças em nosso comportamento devem ocorrer imediatamente, mesmo que sejam através de pequenos gestos, tais como: não conduzir crianças no banco da frente, mesmo em destino curto; não parar do lado esquerdo da pista apenas para comprar cigarro, de dentro do carro, na banca que fica desse lado; parar nas faixas de pedestres e, às vezes, até sem haver a faixa, especialmente, quando idosos, deficientes, grávidas e crianças pretendem atravessar a pista!

     A Paz tão falada envolve ainda não discutir no trânsito, mesmo que você esteja coberto de razão; não buzinar desnecessariamente; não sair de casa em cima da hora agendada, afinal, o stress e o nervosismo só afetam e prejudicam a você mesmo. É como a ira e o rancor, só destroem a quem sente! E isso não é falácia, mas sim, um testemunho de paz de quem já perdeu 04 entes vitimados em um acidente automobilístico. 


Por Otaviano Barbosa

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